sábado, 9 de janeiro de 2010

Empresários e elite preferem Lula ao PSDB, diz Alencar

Em entrevista ao Jornal do Brasil, o vice-presidente da República, José Alencar, falou sobre eleições, economia, sua luta contra o câncer, a possibilidade de se candidatar a senador e se emocionou, com a homenagem de uma procuradora aposentada de São Paulo. Segundo Alencar, hoje os empresários são a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na quinta-feira, depois de praticamente duas horas de conversa num gabinete amplo e silencioso anexo ao Palácio do Planalto, o vice-presidente lia uma carta recém-recebida: uma crônica de uma procuradora aposentada de São Paulo, que dizia quão ele era merecedor de bênçãos por ser forte diante do câncer. Alencar tirou os óculos, perdeu a fala e chorou. Pediu a um dos repórteres que continuasse a leitura.

Alencar diz estar otimista quanto à cura de seu câncer, e isso não tem mudado sua rotina. "Eu? Não tenho férias", disse. O vice-presidente desconversou sobre o melhor vice para a chapa de Dilma Rousseff, pré-candidata do PT. Disse que o jeito durão da aliada é virtude, e a comparou a Margareth Thatcher. Disse que Lula tem "verdadeiro pavor da inflação", e por isso sabe conduzir bem a economia, embora a política monetária seja um "equívoco" - nesse contexto, voltou ao discurso que o consagrou: crítica ferrenha aos juros altos.

Confira a entrevista:

Jornal do Brasil -Entramos na reta final do governo Lula. O que mais marcou o senhor nesses sete anos de vice-presidência?

José Alencar - É aquela história: comigo aconteceu um fato interessante, porque muita gente não entendeu bem a aliança que foi feita com o Lula em 2002. E não entendeu porque não podia admitir que uma liderança sindical representativa dos trabalhadores fizesse uma aliança com uma liderança representativa dos empregadores (Alencar foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais - Fiemg). A minha liderança no campo das entidades representativas das classes produtoras é longa, uma participação antiga. Porém, nas reuniões, e mesmo fora delas, a conversa da gente sempre tinha uma predominância de consertar o Brasil. Então aquela aliança deu muito certo. Posso dizer que praticamente tudo que eu esperava do Lula ele fez. Só há uma coisa que ele me surpreendeu. Foi o fato de que ele vai passar para a História como o presidente que maior serviço prestou ao Brasil no campo dos negócios externos. E o Lula não tinha, pelo menos aparentemente, perfil para isso. Ninguém pode imaginar como a gente hoje é recebido em qualquer parte do mundo, mesmo no extremo Oriente. O Brasil hoje é conhecido como um País presente, sério. E é o Lula.

JB - O senhor acredita que hoje o empresariado brasileiro, que tinha aversão a Lula, sabe reconhecer o mérito dessas conquistas, e as atribui ao governo?

Alencar - Eu digo que o prestígio do presidente Lula junto às classes produtores sérias do Brasil é muito grande. Eu digo que eles hoje são intransigentes a favor do Lula.

JB - Eles preferem o governo do PT a um eventual governo do José Serra, do PSDB?

Alencar - Sim, porque se eles querem a continuidade do trabalho feito pelo presidente Lula, é natural que eles deem força ao candidato apoiado por ele.

JB - O PSDB é tido como um partido das elites. O que foi decisivo para que houvesse essa inversão?

Alencar - Você coloca a questão meio ideológica. É aquela história, depois que o Den Xiaoping pronunciou aquela metáfora importante, acabou criando um regime na China sui generis: "não importa a cor do gato, o que importa é que ele cace o rato". Então os cientistas políticos traduziram o que ele queria dizer: "não importa a coloração ideológica, o que importa é o bem comum". Aquela resistência que antes poderia haver nas classes produtoras em relação ao Lula, considerando que ele era um líder sindical, isso acabou, porque hoje ele prestigia quem trabalha e quem produz.

JB - Tem alguma conquista da política externa que o senhor destacaria?

Alencar - Destaco esse fato de fazer crescer o prestígio do Brasil no conceito das nações. Hoje o Brasil senta à mesa. Essa luta para entrar como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, isso vai acontecer porque a respeitabilidade conquistada pelo Brasil é muito grande.

JB - O senhor fala das conquistas no cenário exterior, mas a balança comercial não foi boa em 2009.

Alencar - Aí já é um problema da economia. Estamos convivendo com uma política monetária, na minha opinião, equivocada. Não estou falando da política econômica como um todo, estou falando da política monetária. Refiro-me à taxa de juros, ao custo a que nos leva à rubrica representativa dos juros com que nós rolamos nossa dívida. Nós vamos gastar, em oito anos, coisa parecida como R$ 1,3 trilhão de juros, quando nós podíamos gastar a metade, e teríamos economizado R$ 600 bilhões. Se considerar a parcela do governo federal do PAC, que é de R$ 60 bilhões, seriam 10 PACs.

JB - Então a taxa de juros custou ao Brasil 10 PACs?

Alencar - Se considerar a parcela do governo central, porque o PAC tem empresas privadas que participam dos investimentos.

JB - O senhor foi crítico persistente da política de juros. Por que não foi possível criar uma articulação para redirecionar essa diretriz da política de juros?
Alencar - O Lula tem o estilo dele, mas a responsabilidade maior é dele, porque ele é que é o presidente. E o Lula tem um modo de ser que eu até respeito. Ele, por exemplo, é muito bem orientado pela equipe de assessores que ele tem. Ele sabe que o José Alencar não é economista. Ele também não é, então ele tem que se valer da orientação daqueles que estão em condições do ponto de vista acadêmico, do ponto de vista de conhecimento teórico ou mesmo prático da economia. Então o que estou falando é que aceito contestação, mas é preciso que tenha contestação capaz de me convencer e por enquanto não houve. Pois bem: a taxa de juros alta inibe também os investimentos, porque você não vai investir numa atividade produtiva, se essa atividade não remunera o custo de capital. O capital é apenas um dos fatores de produção. Então eu vejo o Lula dizendo: "vamos comprar, vamos gerar emprego, vamos investir". E a política monetária agindo diametralmente de forma oposta.

JB - Diante da crise, o estímulo ao consumo por meio de desonerações como a do IPI...

Alencar - Aí já são medidas pontuais. Eu não gosto muito dessas medidas porque elas acabam levando a uma dose de subjetividade. Você pega, por exemplo, e diz: "vamos reduzir o IPI da indústria automobilística". Então vem o outro e diz: "vamos reduzir também da indústria de bicicleta".

JB - E vai durar até quando?

Alencar - Acho que precisamos é de uma reforma tributária capaz de corrigir todas essas discrepâncias que prejudicam alguma coisa da economia.

JB - O senhor atribui, então, a lentidão na redução da taxa de juros a uma confiança do presidente Lula na diretriz do Henrique Meirelles?

Alencar - O Brasil conviveu, durante muitos anos, com uma inflação muito alta. Houve determinados governos em que a inflação chegou a coisa de 80% ao mês. Isso é uma coisa despropositada, uma coisa terrível. Então, o Lula é muito sensível à questão de orçamento, especialmente do pessoal menos favorecido, o pessoal de salário fixo. Eu não entendo disso porque não sou técnico. Acho que a inflação brasileira, esse saldo de inflação que tem aí, tem duas razões básicas, na minha opinião. A primeira delas é a força inercial de uma inflação por longo tempo no Brasil. O outro fator é que aquela inflação trouxe a chamada correção monetária, que foi um desastre, porque ainda que ela corrigisse, ela nos ensinou a conviver com inflação e nós convivemos uma vida com inflação que foi danosa para a economia brasileira graças à correção monetária.

JB - O senhor falou da importância de uma reforma tributária. E a reforma política?

Alencar - Essa é a primeira que precisa ser feita. Veja bem, é aquela história, no regime democrático as coisas demoram um pouco porque você sabe que nós temos três poderes independentes. Não adianta, tem que ser através do Legislativo. Então a reforma tributária é feita através de emendas, até constitucional, assim como a reforma política. Então depende do Congresso Nacional.

JB - Há proposta de uma PEC para eleger uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para a reforma.

Sou favorável, sim, ela é absolutamente essencial para o Brasil. A reforma política é a reforma das reformas.

JB - O senhor é a favor da reeleição e a favor do suplente virar senador, sem voto?
Alencar - Isso aí também faz parte de itens que podem ser tratados numa reforma política. A gente não pode falar isoladamente sobre isso. Eu, por exemplo, sou vice-presidente graças à eleição do Lula, porque ninguém vota no vice, vota no titular. Agora no caso do Senado ainda é pior, porque não há nem mesmo a figura do suplente, o seu suplente vai automaticamente.

JB - Nesse caso o senhor é a favor do fim do suplente?

Alencar - Eu sou a favor, desde que haja necessidade de suplência. Se há, porque trata-se de uma eleição majoritária, que seja um suplente e que seja eleito.

JB - E reeleição?

Alencar - Não sou contra a reeleição. Mas é aquela história: cada país tem a sua cultura. Os cinco anos sem reeleição deram ao Juscelino tempo para fazer um excelente governo, um governo de grandes realizações. Então talvez um governo de cinco anos sem reeleição fosse melhor do que com reeleição. O Lula tem procurado evitar que isso faça qualquer perturbação na vida administrativa, mas de qualquer maneira isso não é bom. Talvez o ideal fosse cinco anos sem reeleição.

JB - Especula-se que o presidente Lula poderia ter preferência pelo nome de Henrique Meirelles como o vice de Dilma.

Alencar - O meu partido é o Partido Republicano Brasileiro (PRB). Tem aquela história da não-intervenção e autodeterminação em relação aos povos. Vou adotar esse mesmo critério em relação aos partidos. Acho que isso é questão de autodeterminação partidária e eu não pertenço ao PT.

JB - Quem seria o vice ideal para a Dilma?

Alencar - Só ela sabe, porque o candidato titular é que tem a maior credencial para indicar o vice ideal porque isso depende de uma convivência, uma confiança. Você sabe, eu já assumi a Presidência por mais de 400 dias e o Lula faz questão de dizer que nunca perdeu nenhum minuto de sono - ele fala - enquanto está viajando, porque sabe que estou aqui.

JB - O senhor acredita que o Michel Temer é de confiança da Dilma?

Alencar - Isso é uma pergunta que eu não tenho como responder, porque isso é uma coisa muito pessoal. Só ela pode dizer. Eu tenho pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer, o maior apreço. Eu já pertenci ao PMDB.

JB - O senhor representou em 2002 a adesão de parte do empresariado à candidatura de Lula. Acredita que a indicação de Meirelles para vice de Dilma poderia exercer papel semelhante oito anos depois?

Alencar - Naturalmente que isso vai envolver também a questão partidária, porque isso pressupõe um acordo partidário. Gosto muito do PMDB, fui membro do PMDB, mas eu não posso entrar nisso. Isso é um assunto que não me cabe.

JB - Uma eventual vitória de José Serra, candidato do PSDB, poderia descontinuar as políticas atuais?

Alencar - Tenho o maior respeito pelos candidatos. Sou muito amigo do governador José Serra, tenho por ele muito boa referência, é um homem público de muito valor. Assim como a senadora Marina Silva (PV), que também é candidata. Gosto demais dela. Hoje, temos o Ciro Gomes (PSB), que é outro bom candidato. Ele pode ter o temperamento dele, bravo, mas é um camarada de valor e muito correto. Da mesma forma diria em relação à Dilma Rousseff (PT), que é uma mulher rara. Muita gente fala: 'ah, a Dilma é muito durona'. Todo mundo sabe que a Margareth Thatcher se consagrou pelo fato de ser a Dama de Ferro. A Dilma é brava, mas é dedicada e muito correta. As decisões que ela toma são absolutamente estudadas, é de uma responsabilidade incomum. Então pode estar certo, essa braveza dela é valor, que acrescenta a todos os outros valores que ela tem. Então nós temos, hoje, candidatos que poderão levar o Brasil a muito bom termo. Agora, um candidato que tem, obviamente, um maior compromisso de continuidade é o candidato apoiado pelo presidente.

JB - O senhor vai se candidatar ao Senado?

Alencar - Se Deus me curar, eu posso ser candidato a alguma coisa. O que eu não posso fazer e não farei é levar o meu nome se eu não estiver em condições de exercer o mandato. E nós estamos curando o câncer. Nós estamos num processo de cura que graças a Deus está indo muito bem e vamos vencer. Mas é preciso que haja, primeiro, essa vitória.

JB - Para o Senado Minas já terá Aécio Neves, talvez também Itamar Franco e um nome do PT. O senhor vai conversar com eles?

Alencar - Só poderei ser candidato se o meu partido me der a legenda. E se eu sentir também que as lideranças e as pessoas querem que eu seja candidato. Isso aí eu posso aceitar. Mas eu sou desprendido. Por exemplo, uma das coisas que nós queremos que aconteça é uma unidade em Minas. A base de apoio que eu falo são os partidos como o meu, por exemplo, o PRB, o PT, o PMDB, o PCdoB, o PTB, e vai por aí.

JB - O senhor ainda sonha ser governador de Minas?

Alencar - Agora eu prefiro um cargo para o Legislativo. Outra coisa, se por ventura, para obter essa unidade da base em Minas, para que haja um palanque que o povo entenda aquele palanque, que não embaralhe a cabeça do eleitor, um palanque limpo, eu abro mão de qualquer candidatura. Se me disserem: você não pode ser candidato ao Senado porque nós precisamos do lugar, eu abro mão. Então me deixa ser candidato a deputado federal? Não pode. Então eu abro mão.

JB - Qual a sua opinião sobre o polêmico decreto do Programa Nacional de Direitos Humanos que causou a crise entre os militares e o ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos)? O presidente Lula já conversou com o senhor?

Alencar - Não, não conversamos sobre isso e ele também sabe a minha posição. A minha posição é a seguinte: em 1979 tem a Lei de Anistia, que foi promulgada pelo presidente de então, que era o general Figueiredo. Essa anistia foi considerada ampla e irrestrita e prevalecendo para todos os lados. E eu sou da roça. Lá na roça, os antigos, quando havia um caso assim, parecido, naturalmente respeitadas as proporções, eles falavam assim: "vamos deixar os defuntos em paz, não vamos desenterrar os defuntos".

JB - Então o senhor acha que a Comissão da Verdade não é uma proposta boa.

Alencar - Acho que os arquivos devem ser postos - como estão - à disposição. Agora, a modificação da Lei da Anistia eu sou contra. Acho que ela foi muito bem lançada na época e pôs término àquele período.

JB - A Comissão da Verdade pretende investigar possíveis torturadores...

Alencar - A investigação é sempre boa. Quando há uma denúncia, deve haver uma investigação rigorosa. É claro que o investigado no processo tem direito de defesa. Isso é para todos.

JB - Mas e a anistia ampla?

Alencar - Depende, porque eu não tenho condição de falar com absoluta precisão em relação ao que a anistia alcançaria em relação a essa investigação, de um determinado fato isolado.

JB - A questão virou caso para o STF...

Alencar - Isso tem que ver como é, porque se pode haver a verificação de caso a caso, sou a favor, sem problema nenhum. Agora, tem os dois lados, porque quando vem o processo, vem também o direito de defesa daquele que está sendo acusado e ele poderá acusar o outro que o está acusando. Não é brincadeira. De 1979 para hoje são 30 anos. O tempo também vai embora. Mas sou a favor de que se construa um País que não jogue fora suas memórias, porque é preciso que nos utilizemos delas para construir nossa história. A nossa história depende disso, mas isso não significa derrubar a Lei da Anistia. Acho que não há razão para isso.

JB - Qual a opinião do senhor sobre a proposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre uma nova política antidrogas, e sobre o governador Sérgio Cabral, do Rio, que defende a liberalização do uso de drogas?

Alencar - O Brasil precisa acabar com a impunidade, porque a impunidade encoraja o crime. Então há muitas leis mas não são observadas, porque o País ganhou uma cultura da impunidade. As pessoas dão um jeito e fogem da lei. E fora da lei não há salvação. Então tem-se que acabar com a impunidade no Brasil, claro, sem tirar o direito de defesa. Tem que haver punição para as coisas erradas, não pode continuar assim, não. Esse negócio de liberação de droga, eu lembro, por exemplo, quando houve na Suíça. Digo para você que foi um inferno, eles voltaram atrás. Eu me lembro como ficaram as praças.

JB - Não vai dar certo?

Alencar - Não, isso aí tem que haver um trabalho coercitivo e um trabalho educativo, paralelamente, porque nós temos também que procurar educar os filhos.

JB - O presidente Lula, desde que se tornou presidente, costuma elogiar um pouco a imprensa, mas critica mais ainda. O senhor concorda com ele? A imprensa às vezes exagera?

Alencar - A imprensa tem que ser livre. A liberdade de imprensa é um dos instrumentos mais importantes para o fortalecimento da democracia. Não pode haver democracia sem a imprensa livre. Você não pode cercear o direito à liberdade de imprensa.

Serra diz a prefeitos que vai inundar cidades.Sabesp afirma que duas represas podem passar a descarregar água "em questão de dias"

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), reuniu ontem representantes de 16 municípios para alertar para o risco iminente de inundação no entorno de quatro represas do sistema Cantareira. Com as chuvas constantes dos últimos dias, três delas já estão no limite máximo de operação.

"Foram aqui chamados os municípios potencialmente com problemas. Temos que estar prontos para isso", discursou Serra. Também convocado, o prefeito de Amparo não participou da audiência.

Superintendente da Sabesp, Hélio Luiz Castro avisou que, mantido o ritmo atual das chuvas, duas das três represas em nível máximo -dos rios Cachoeira e Atibainha- passarão a descarregar água "em questão de dias", já a partir da semana que vem.
Chamando as cidades de "potencialmente inundáveis", Serra propôs a adoção de medidas preventivas como a remoção de moradores de áreas de risco.

O secretário da Habitação, Lair Krähenbühl, anunciou um programa emergencial, com vigência de três meses, para concessão de auxílio-moradia de R$ 300 mensais para moradores transferidos de bairros passíveis de inundações, além de financiamento de até R$ 30 mil para reformas de casas atingidas pelas enchentes.

Ao discursar, Serra disse que há "a expectativa de que o governo federal libere cotas do FGTS" para reformas. Mas ressaltou: "É preciso não exagerar o que isso representa. O teto é de R$ 4.600 e está longe de poder recuperar residências gravemente abaladas pelas águas".

Ameaça à estrutura

Afirmando que o volume de chuvas na região é 130% maior do que o histórico, Serra explicou que as represas "não podem deixar de abrir as comportas quando chegam no nível de altura". "Nesse caso, estariam ameaçando sua estrutura."

Questionado sobre assoreamento de rios da região, reagiu: "Grande parte da responsabilidade pelo assoreamento é das prefeituras, prefeituras como pessoas jurídicas, e que não cuidam [dos rios]. Na hora do prejuízo, correm para o Estado".
O governador reclamou publicamente da ausência do prefeito de Amparo, cidade administrada pelo PT. "É injustificável que, no momento em que a gente vem aqui prestar auxílio, o prefeito vire as costas para isso", disse, acrescentando esperar que não haja "motivação política" para a ausência.

Além de Bragança Paulista, sede da reunião, foram à audiência representantes de Itatiba, Joanópolis, Morungaba, Pinhalzinho, Piracaia, Vargem, Caieiras, Franco da Rocha, Igaratá, Salesópolis, Biritiba-Mirim, Tuiuti, Pedra Bela, Nazaré Paulista e Águas de Lindoia.

Serra prometeu "recursos, máquinas, cestas básicas, remédios e obras de emergência".

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Em ano eleitoral Aécio eleva despesa com servidores em R$ 38 milhões

O governo de Minas Gerais terá um gasto mensal de R$ 38 milhões a partir de julho com a regulamentação do posicionamento de tempo de serviço de 169,5 mil servidores efetivos ativos e inativos do Executivo estadual. O governador Aécio Neves (PSDB) assinou no dia 31 de dezembro decreto que atende a uma reivindicação antiga do funcionalismo público. O decreto, que entra em vigor no dia 30 de junho, beneficiará 128.876 funcionários ativos e 40.692 inativos. Conforme o governo mineiro, o impacto financeiro mensal com o reposicionamento, incluindo os encargos, será de R$ 38,176 milhões.

O critério de tempo de serviço não foi utilizado para posicionamento dos servidores quando foram implementadas as novas estruturas de carreiras do Executivo, em 2005. Na época, foi considerado somente o valor do vencimento básico e a escolaridade. A administração estadual ressalta que o texto estabelece que as despesas decorrentes do reposicionamento nas carreiras estarão sujeitas ao limite de gastos com pessoal, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Quero ser campeão da Libertadores e Mundial", diz filho de Lula



Em conversas no site de relacionamento Twitter, o novo preparador físico do Corinthians, Luiz Cláudio Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha por ser filho do presidente Lula, afirmou para um seguidor que pretende conquistar muito títulos importantes pelo clube.

"Quero escrever meu nome na história do clube e com caneta de ouro.. Campeão da Libertadores e Mundial", disse Lulinha. Resta saber se foi o presidente, declarado corintiano fanático, que lhe cobrou esses títulos inéditos para o clube de coração.

E o povo não acreditou no PPS. Caderneta tem a segunda maior captação desde 1995

Os depósitos em caderneta de poupança superaram os saques em R$ 9,171 bilhões no mês de dezembro, cifra  maior, em termos nominais, do que a verificada em dezembro de 2009 (R$ 9,13 bilhões), informou ontem o Banco Central. Trata-se do maior valor captado em um mês de dezembro desde 1995.

Com isso, a captação líquida acumulada em 2009 atingiu R$ 30,412 bilhões. O crescimento foi forte em relação a 2008, quando a diferença entre depósitos e saques ficou em R$ 17,754 bilhões no ano e em R$ 5,387 bilhões em dezembro.

Os números divulgados ontem indicam que não houve uma fuga de recursos de outras aplicações, como dos fundos de investimento, para as cadernetas. A possibilidade de que a redução da taxa básica de juros causasse queda da atratividade de outras aplicações e, por consequência, migração de recursos para a poupança, chegou a ser temida pelo governo em 2009.

Danone investe R$ 60 milhões no Ceará para ampliar vendas ao NE

Onze anos após paralisar as atividades de sua fábrica em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza (CE), a Danone está investindo R$ 60 milhões na ampliação e modernização da unidade, que deverá ser reaberta em julho deste ano com vistas ao atendimento dos ascendentes mercados consumidores do Norte e Nordeste do país. Serão produzidas no local cerca de 50 mil toneladas de iogurtes por ano, especialmente nas linhas Activia, Danoninho líquido e Corpus.

A reativação da fábrica de Maracanaú faz parte da estratégia de regionalização das operações da Danone, iniciada há três anos e que tem o objetivo de ganhar espaço no mercado nordestino, o único em que a empresa não detém a liderança, ocupada pela Nestlé.

Apesar de já possuir o espaço onde funcionará a nova fábrica, a empresa avaliou outros estados da região para o empreendimento, casos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Porém, acabou ficando mesmo no Ceará, onde obteve um alívio fiscal de 90% do ICMS pelo período de dez anos. O benefício, de acordo com o governo cearense, foi motivado pelo fato de que a Danone irá priorizar os pequenos fornecedores locais para a compra do leite que abastecerá a fábrica.

No momento, a empresa está em processo de análise das áreas que serão escolhidas para o fornecimento do leite. "Para ser fornecedor Danone, o produtor deverá estar em alguma das regiões mapeadas, possuir tanque de resfriamento ou ser parte de um tanque comunitário, ter todo o rebanho vacinado contra aftosa e ser aprovado na auditoria da empresa, além de ter um comprometimento com o desenvolvimento da qualidade", explicou a diretora-geral da Danone para o Nordeste, Edna Giacomini.

A parceria com a cadeia leiteira local, segundo a empresa, deverá funcionar de forma similar à praticada na fábrica de Poços de Caldas (MG). Pelo sistema, a Danone auxilia os produtores locais com treinamento de qualidade e busca parcerias com bancos para facilitar o financiamento dessa produção.

A fábrica de Maracanaú foi fechada em 1999 após apenas seis meses de funcionamento. A versão oficial da empresa diz apenas que o fechamento se deu "com base na estratégia de negócios vigente à época". A partir de julho, no entanto, a Danone pretende implementar uma atividade dinâmica na região, onde a unidade deverá gerar cerca de 100 empregos diretos, além de aproximadamente 1 mil na cadeia produtiva.

De acordo com Giacomini, a estratégia para ganhar o consumidor nordestino, especialmente das classes mais C, D e E, se baseia na oferta de embalagens econômicas, com preços a partir de R$ 0,49. A Danone também planeja o lançamento de produtos adaptados ao paladar regional, como iogurtes com sabores das frutas típicas do Nordeste.

No ano passado, as vendas da companhia na região cresceram 30% em relação a 2008, quando já havia avançado 36% sobre o exercício anterior. Com a produção local, no entanto, a Danone uma performance bem superior. "Numa região com 30% da população brasileira e com a menor renda per capta, onde o consumidor valoriza produto com valor agregado, regionalização, acessibilidade e disponibilidade foram os pilares-chave do projeto", explicou a diretora.

Segundo dados do LatinPanel publicados pela revista "Supermercado Moderno", a Danone controla 14% do total de produtos lácteos frescos vendidos no país e está presente em 30% dos lares. No segmento de funcionais, a empresa tem 56% do mercado com a linha Activia, seguida pela Nestlé, com 17%, de acordo com dados da Nielsen . Em iogurtes light, a Danone tem 34% das vendas e a rival Nestlé, 25%.Valor Econômico

Richa mira o governo do Paraná

O prefeito de capital mais popular do Brasil já fala como governador eleito. Beto Richa (PSDB), em seu segundo mandato em Curitiba, dizia antes que era preciso esperar 2010 para tomar alguma decisão sobre as próximas eleições, que não tinha obsessão por cargos e que a população iria dar o rumo a ser tomado. Agora que 2010 chegou e, com ela, pesquisas que o colocam como um dos prefeitos mais bem avaliados do país, o tucano não disfarça mais e diz que vai levar experiências bem-sucedidas de Curitiba a municípios do interior.

O caminho até aqui não foi isento de percalços. Embora ele nunca tenha dito isso antes, depois de ter sido acusado por crime eleitoral e ver seu nome ser ligado ao escândalo em programa dominical de televisão e jornais locais e nacionais, Richa pensou em deixar a política. Era junho, poucos meses depois de ter obtido 77% dos votos e sido reeleito prefeito em primeiro turno.

"Várias vezes pensei em largar a vida pública e esse episódio do PRTB [partido envolvido nas denúncias] foi uma delas. Me atingiu profundamente", disse Richa ao Valor. "Conversei com a Fernanda [a esposa] sobre a possibilidade de abandonar a carreira. Ser escrachado em programa nacional e em jornais de forma maldosa, me estampando com dinheiro na cara, eu não aceito."

As denúncias contra ele foram arquivadas pelo Ministério Público Eleitoral pela "ausência de qualquer indício de participação pessoal nos fatos investigados" e Richa foi mais uma vez apontado como o melhor prefeito do país em pesquisa divulgada recentemente pelo Datafolha. Recebeu 84% de conceitos ótimo e bom para a sua administração e teve 7,9 de nota geral , maior que a obtida pelo governador mais bem avaliado, o mineiro Aécio Neves (7,5), e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (7,7). Na mesma semana, o instituto Paraná Pesquisas mostrou que ele lidera as intenções de voto para o governo, resultado que também havia sido apurado pelo Datafolha.

Foi o apoio popular, manifestado em contatos pessoais e por meio de pesquisas, que fez com que Richa mudasse o tom de seu discurso e mostrasse disposição de disputar o governo do Paraná.

Ontem, em nota, Beto Richa defendeu que o partido indique em reunião da executiva estadual, marcada para 18 de janeiro, de que forma escolherá seu candidato. "Inicialmente, achei que se pudesse postergar um pouco, mas fui convencido por argumentos muito objetivos. Um deles é que a definição de um nome vai ajudar na busca por alianças", disse Richa.

Além de Richa, o senador Alvaro Dias disputa a indicação tucana. De acordo com o Datafolha, Richa tem 40%, seguido do senador Osmar Dias (PDT) - irmão de Alvaro -, com 38%. Num cenário sem Richa, a liderança fica com Osmar (42%) seguido de Alvaro (28%). Mas, os dois irmãos dizem que não vão concorrer um contra o outro.

O diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, chama a atenção para o fato de que, se um deles sair vencedor, o Estado vai manter no poder uma das quatro famílias que se alternam no governo desde as eleições de 1982: Dias, Lerner, Requião e Richa. "Minha candidatura é nova", discorda o tucano, que costuma lembrar o nome do pai, o ex-governador José Richa, nas campanhas políticas.

Os prefeitos de Curitiba sempre foram bem avaliados em pesquisas nacionais e dois deles - Roberto Requião e Jaime Lerner - tornaram-se governadores após administrar a capital. Curitiba e região metropolitana representam quase um terço do eleitorado do Estado, segundo o TRE.

Richa tem viajado com frequência para o interior, onde Osmar Dias é mais conhecido, e o trabalho começa a dar resultado. Ele passou a virada do ano em Foz do Iguaçu (PR) com a família e, numa das três festas de que participou, foi anunciado como o futuro governador do Paraná por um cantor. De acordo com o Datafolha, Richa tem 61% das intenções de voto em Curitiba e região contra 20% de Osmar. No interior, Osmar tem 46% contra 30% do tucano.

Recentemente Richa foi alvo de críticas por ter pouca intimidade com a agricultura, já que almeja administrar um Estado agrícola. Mas já tem resposta para o caso. "O que eu conhecia de educação e da área médica? Você acha que vou ser secretário de Agricultura? Vou ter um bom secretário", diz ele, que é engenheiro civil. Alguns segundos depois, emenda: "Agricultura não é tudo. A prioridade dos paranaenses é saúde, segurança pública, educação e depois agricultura".

Sobre outro questionamento, o de que teria quebrado a aliança que fez em 2008 para apoiar Osmar Dias em 2010, ele é enfático: "Nunca houve pacto". Mas Richa adianta que vai guardar a melhor resposta para o momento adequado, se o assunto incomodar durante a campanha. "O caldo entorna se eu abrir a boca", afirma, sem dar detalhes. "Paguei caro por apoiá-lo. O [governador Roberto] Requião passou a me perseguir e perdi recursos para a cidade."

Requião (PMDB), que teve o nome lançado como pré-candidato à Presidência, tem dito que vai apoiar seu vice, Orlando Pessuti, para sucedê-lo. O tucano, no entanto, garante que terá a adesão de parte dos pemedebistas. "Muitos deputados, a grande maioria dos prefeitos do PMDB e lideranças do partido querem vir comigo", diz.

Pessuti aparece nas pesquisas com 4% a 5% do eleitorado. A intenção de Richa é formar uma grande aliança em torno de sua candidatura como fez em 2008, quando contou com a força de 11 siglas (PSDB-PSB-PDT-PP-PPS-DEM-PR-PSDC-PRP-PTN-PSL). "O PMDB é bem-vindo."

Para a cientista política Luciana Veiga, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Beto Richa ainda não teve de enfrentar uma oposição forte, o que deve acontecer nos próximos meses. Segundo ela, a aprovação dele é surpreendente e pode ser creditada, em parte, ao enfraquecimento de Requião - que ficou em sétimo no ranking de governadores, com 51% de conceitos ótimo e bom e nota 6,4 - e ao fato de Richa ter família estruturada, ser jovem e bem-sucedido, o que inspira confiança aos eleitores. "Mas até agora a imagem dele não foi testada e há toda uma campanha pela frente, que deve ser dura", avalia Luciana.

Para outro cientista político, Adriano Codato, os prefeitos de Curitiba costumam ser bem avaliados porque a capital "não tem nada insolúvel e possui um orçamento fabuloso de R$ 4 bilhões". "Mas acho um absurdo alguém que teve 77% dos votos deixar a prefeitura", opina Codato. "Vai governar a cidade por mais de dois anos uma pessoa que não ganhou nenhum." No caso, o vice Luciano Ducci, médico pediatra.

Beto Richa diz ser contra a reeleição, que "na maioria dos casos não deu certo" e, embora seu filho mais velho e sua esposa tenham trabalhado em sua última campanha, garante que não gostaria que ninguém mais da família entrasse na política. "Há desgaste, falta de privacidade. É uma carreira de sacrifícios para pessoas bem intencionadas", reclama. Questionado sobre por que continua, responde: "É gratificante realizar coisas, mas lamentavelmente se faz política com armações, maldades, desonras."

Quando Richa candidatou-se ao governo, em 2002, conseguiu 17,3% dos votos e Requião venceu Alvaro Dias - à época, no PDT - no segundo turno. Decidiu, então, fazer um caminho mais longo, na prefeitura. Antes de afastar-se do cargo, terá de avançar em dois assuntos sobre os quais será cobrado pelos opositores: a construção do metrô e a licitação do transporte coletivo, marcada para fevereiro.Valor Econômico

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Caiado exige que Serra tenha um vice do DEM

A cúpula do DEM retomou a pressão sobre o PSDB para que os tucanos definam quem será o vice na chapa que disputará a Presidência da República neste ano. O líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado, voltou a criticar ontem a demora no lançamento da provável candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Diz que a oposição está desarticulada e ameaça não se engajar na campanha nacional caso os tucanos indiquem como vice um nome que não seja o do governador mineiro Aécio Neves (PSDB). Não aceitam Itamar Franco (PPS), como vem sendo citado e, se não for Aécio, Caiado diz que o DEM exigirá a Vice.

Dirigentes do DEM cobram a definição do PSDB tanto sobre o lançamento da candidatura nacional quanto sobre o vice, e dizem que o adiamento poderá prejudicar a campanha presidencial. O comando partidário analisa que se o vice não for Aécio, "tem de ser do DEM". Caso contrário, o partido ameaça liberar os diretórios estaduais para a composição de alianças locais. Um dos mais cotados é o senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado. Agripino perdeu na disputa interna em 2006 para o ex-senador José Jorge na indicação para vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), naquela disputa presidencial

Ligado ao grupo político do presidente do DEM, o líder Ronaldo Caiado disse que o partido será aliado do PSDB na disputa presidencial, mas que poderá não se engajar na campanha. " O que interessará mais ao DEM? Participar da aliança ou eleger mais deputados federais? A definição está sendo adiada para março, depois para será para junho, julho, ... Se demorar muito, cada um vai se empenhar em sua campanha para a reeleição", comentou o deputado. "Nós queremos participar das decisões. Senão, qual a vantagem do DEM participar da aliança?", disse.

A pressão do DEM sobre o PSDB se arrefeceu quando o partido tornou-se alvo de denúncias de corrupção, no escândalo da suposta distribuição ilegal de recursos envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ex-integrante do DEM, e cotado para ser vice na chapa de Aécio Neves se o governador de Minas fosse o candidato tucano.

Para dirigentes do DEM, falta entendimento entre PSDB, DEM e PPS. Na análise de Caiado, há um "apagão da oposição". O deputado citou inúmeros exemplos da desarticulação dos partidos de oposição no Congresso e analisou que isso poderá se refletir na disputa nacional. Um dos exemplos citados foi a falta de empenho da oposição em barrar pontos do Orçamento. "Nós não estamos agindo em conjunto. Agora é a hora de nós nos reunirmos, de conspirarmos, de bolarmos eventos. Mas todos estão em férias, viajando. O recesso é para a base governista. Não pode ser para a oposição", considerou.

Laranja do PSDB: Marina se torna linha auxiliar da candidatura de Serra à Presidência



Ex-secretário de Meio Ambiente do governo José Serra (PSDB-SP), o ex-deputado Eduardo Jorge integrará o núcleo de coordenação da campanha da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência da República. O nome do ex-deputado, que foi secretário de Meio Ambiente do município de São Paulo, foi indicado pela própria senadora.

Filiado ao PV desde 2003, Eduardo Jorge foi fundador do PT. Deixou o partido depois de um histórico de atritos com a cúpula petista, chegando a ser suspenso da legenda por ter votado a favor da CPMF durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes, o ex-deputado já havia assumido a secretaria de Saúde das gestões de Luiza Erundina e Marta Suplicy, em São Paulo. Quando José Serra assumiu a prefeitura, em 2007, Eduardo Jorge foi nomeado secretário de Meio Ambiente, e no ano seguinte foi mantido no cargo pelo prefeito Gilberto Kassab, do DEM. O PV rebate o argumento de que o secretário seja um serrista.

— O Eduardo Jorge foi indicado para a prefeitura de São Paulo pelo partido. Ele não está infiltrado — ressaltou o presidente nacional do PV, o vereador José Luiz Penna, que integra a base do prefeito Kassab na Câmara de Vereadores de São Paulo.

Eduardo Jorge confirmou, por meio de sua assessoria, que foi convidado pela própria Marina para ser coordenador de sua campanha. O grupo de coordenação da pré-campanha de Marina Silva deve ser anunciado ainda em janeiro. O partido também está definindo a estratégia política.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Arruda retira nome de novos inimigos de lista de premiados pelo governo

O governo de José Roberto Arruda (ex-DEM) tirou da lista de premiados com a medalha comemorativa dos 200 anos da Polícia Militar Durval Barbosa, autor das denúncias do mensalão do DEM, e Estefânia Viveiros, ex-presidente da OAB-DF que apresentou pedido de impeachment contra o governador.

A homenagem foi feita em maio de 2009, mas a lista de agraciados só foi publicada no "Diário Oficial" em dezembro e sem os nomes dos dois.
Uma versão com os nomes de Barbosa e de Estefânia chegou a ser divulgada no site do governo. Mas a lista foi reimpressa sem os dois.

Segundo assessoria de Arruda, eles saíram da lista "por proteção", para que ninguém os atacasse, dizendo que foram premiados pelo governo.

"Retirar meu nome da lista de premiados não faz sentido, foi um reconhecimento pelo trabalho da OAB, que exerce seu papel com ou sem medalha", disse Estefânia.
A assessoria afirmou que a publicação é só uma formalidade exigida pela lei e que a decisão de retirar os nomes foi da área militar do governo. A PM não disse se os dois terão de devolver as medalhas.

Ontem, na primeira reunião do ano com secretários, Arruda ironizou as acusações que sofre. "Eu liguei a televisão e perguntaram para um varredor de rua sobre a Mega-Sena, e ele disse: "Estão dizendo que foi um político, acho que foi o Arruda". Hoje em dia, sou culpado até pela Mega-Sena.Folha

O filho do mundo

Le Monde, El País e Financial Times são alguns dos jornais deste mundo cujas opiniões contam. Suas palavras assentadas na reputação intelectual e profissional legitimam ou não fatos ocorridos no âmbito político, econômico e social. Esses três jornais europeus, neste final de ano, colocaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no topo de suas listas de personalidades do ano. O "filho do Brasil" transforma-se em "filho do mundo".

O fato parece ter incomodado os jornais mais relevantes por aqui. Talvez digiram mal outras visões de mundo, que nos chegam com velocidade e sem controle.

Em outro tempo, as notícias sobre essa distinção internacional do presidente Lula demorariam semanas para atravessar os mares e chegarem para poucos. Agora, em um clique, milhões ficam sabendo que, para muitos, lá fora "Lula é o cara".

Para a mídia tradicional brasileira só resta publicar, no outro dia, as boas e más notícias. Mas o atraso tecnológico midiático poderia se transformar em oportunidade: interpretações e opiniões competentes, embasadas em boa informação, a favor e contra, sobre os fatos do dia anterior.

Centro e periferia

A mediação que a imprensa nacional fazia entre o mundo e o Brasil enfraqueceu e perdeu a razão de ser. Hoje o brasileiro alfabetizado vai direto aos grandes veículos de comunicação internacionais e interage pela internet com a constelação formada pela rede social. E, a partir daí, cria sua opinião.

Ainda sobre Lula, "o cara", a notícia nacional é quase sempre uma opinião, que beira o esboço. Um estado jornalístico insustentável frente a um tipo de leitor a cada dia mais bilíngüe, que já não casa com um determinado veículo de comunicação "até que a morte os separe".

As novas extensões do homem, articuladas a partir das inovações tecnológicas e do novo social, transformaram a criação, a produção e as formas de comunicação e de relacionamento. No novo ambiente sócio-tecnológico é irrelevante pensar nas questões relacionais e comunicacionais – entre elas as notícias – a partir de um instrumental superado e adequado às guerras delineadas em territórios definidos, defendidos por tropas identificadas e dependentes quase exclusivamente de máquinas e orientadas por um comando e controle centralizados.

A notícia circula cada vez mais em um universo sem centro e sem periferia. Quem discorda, por exemplo, dos rankings dos jornalões europeus, tem liberdade e tecnologia para criar suas próprias listas.

Você se anima?

Terra Magazine

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Globo se une à Band e tira futebol europeu da Record

A investida da Record em esporte, anunciada com grande ênfase nos últimos anos, acaba de sofrer um duro revés. Por US$ 4 milhões, a Globo tirou a Eurocopa, a Copa da Europa e a Liga dos Campeões da Record, emissora que vinha transmitindo algumas dessas competições desde 2004.

A Uefa aceitou a proposta da Globo embora ela fosse US$ 1 milhão menor do que a da Record (que ofereceu US$ 5 milhões). Até então a Eurocopa era o evento futebolístico de maior envergadura transmitido pela rede controlada pela Igreja Universal do bispo Edir Macedo.

Em 2007, a Record obteve os direitos exclusivos de transmissão das Olimpíadas de Londres de 2012, e os Pan-Americanos de 2011 e 2015. No ano passado, foi derrotada na tentativa de nova exclusividade nas Olimpíadas de 2016 no Rio: teve de dividir os direitos com Globo e Band.

Em troca do valor pago menor pelas copas europeias, segundo Ooops! apurou, a Uefa exigiu em contrapartida que a Globo assumisse o compromisso de transmitir ao menos cinco partidas --incluindo a final.

A Globo também já trata com a Band uma parceria para a transmissão desses três campeonatos. A Band, por sinal, criou uma nova diretoria de Esportes somente para tratar dos próximos eventos esportivos.

Record nos Esportes
Em termos de programação, a Record está muito aquém das expectativas para uma emissora que anunciou uma nova era esportiva. A emissora hoje tem um único programa esportivo, o "Esporte Fantástico", que vem a ser um cover do "Esporte Espetacular" da Globo.

Desde sua estreia no domingo, como em sua posterior mudança para os sábados, a atração pouco ou nada agregou em termos de ibope à emissora. E, em conteúdo, trouxe 1h30 semanais de esporte à grade de programação. A pequena TV Gazeta, por exemplo, tem quase dez vezes mais espaço para o esporte.

Morre Erasmo Dias, o coronel que comandou invasão da PUC na ditadura

O ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, coronel Antônio Erasmo Dias, morreu de câncer na noite desta segunda-feira em São Paulo, aos 85 anos, segundo informou o Hospital do Câncer A.C Camargo. O coronel, que estava internado desde sábado, dia 2, ficou conhecido por liderar uma violenta invasão à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1977.

Erasmo Dias foi fundador da Aliança Renovadora Nacional (Arena) em 1966 e ficou conhecido pelo discurso e pela atuação contra o comunismo. O coronel também é citado como atuante em organizações de "caça aos comunistas" na ditadura militar. Erasmo foi secretário da Segurança Pública de São Paulo entre 1974 e 1979, no governo de Paulo Egídio Martins.

Em setembro de 1977, Erasmo comandou a operação que prendeu cerca de 1,1 mil estudantes da PUC em São Paulo. Os estudantes estavam reunidos no local para realizar a refundação da União Nacional dos Estudantes (UNE), que na época estava na ilegalidade. Bombas de efeito moral e de fósforo teriam sido usadas na ocasião, ferindo dezenas de estudantes.

Erasmo Dias foi deputado federal, deputado estadual e vereador, sempre pelo Partido Progressista (PP). Seu último mandato acabou em 2004. Erasmo Dias era formado e licenciado em história pela USP e bacharel em direito pela Universidade da Guanabara. Seu corpo está sendo velado na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele será enterrado no cemitério do Paquetá, em Santos.

Assim não, Cabral

Embora o governador do Rio, Sérgio Cabral, tenha defendido a "radicalização" contra a ocupação desordenada das encostas de Angra dos Reis, moradores e ambientalistas de Ilha Grande recolhem, há quatro meses, assinaturas contra um decreto de Cabral que abriu uma brecha para novos imóveis na região. O Decreto nº 41.921/09, publicado em junho de 2009, autoriza a construção em áreas não edificáveis da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, que inclui uma faixa de mais 80 quilômetros do litoral de Angra, a face da Ilha Grande voltada para o continente e as mais de 90 ilhas da baía. A Pousada Sankay e outras sete casas soterradas, na tragédia que matou 29 pessoas, ficam na região.

Segundo o decreto - que, para ambientalistas, atende à especulação imobiliária -, residências e empreendimentos turísticos poderão ser construídos em áreas da chamada zona de conservação de vida silvestre que já tenham sido degradadas, limitando-se a 10% do terreno. Até então, só era licenciada a expansão de imóveis construídos antes de 1994, quando a APA foi regulamentada. Donos de terrenos vazios não podiam construir. O decreto foi publicado sem debate com líderes locais ou órgãos consultivos. Com as críticas, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) comprometeu-se em não conceder licenças com base no decreto, mas ambientalistas querem a sua revogação.

"O governador demonstra desapreço pela área ambiental. Estimula a especulação imobiliária e dará cabo das poucas e bem preservadas áreas que compõem a Baía da Ilha Grande", diz um manifesto que busca assinaturas na internet. Segundo o presidente do Comitê de Defesa da Ilha Grande, Alexandre Oliveira e Silva, o documento já tem 6 mil assinaturas.

"O decreto entrega à especulação imobiliária o filé mignon da Ilha Grande. Qualquer um sabe que não é difícil, ainda mais quando se tem boas relações com quem licencia, apresentar laudo de que o terreno já foi degradado", afirma Silva. "Acho que ele (Cabral) está mordendo a língua, sendo demagogo. A pousada atingida fica nessa área, que é toda parecida geologicamente. Há risco."

SUSPENSÃO

O deputado estadual Alessandro Molon (PT) propôs um projeto de lei que suspende o decreto. "Alteração de zoneamento ambiental tem de passar pelo Legislativo. O projeto tramita devagar, talvez a tragédia sensibilize a Assembleia", disse Molon, que estranhou a veemência de Cabral. "O rigor que ele pregou foi o que não teve ao baixar esse decreto." O Ministério Público Federal avalia questionar a constitucionalidade do decreto.

Procurada, a assessoria de Cabral informou que só a Secretaria de Estado do Ambiente falaria sobre o decreto. A secretária Marilene Ramos disse que a legislação anterior limitava ampliações a 50% da construção existente, desde que não ultrapassasse 20% do terreno. "Essa regra acabou ensejando a falsificação de documentos sobre o tamanho. Por isso, reduzimos a área edificada a 10%." Referindo-se ao decreto como "famigerado", ela afirmou que o ato não trata de áreas de risco e encostas. "Queremos seguir com o licenciamento das construções que já existem, o que não é o caso da Sankay nem do Morro da Carioca. Misturar as duas coisas é de um oportunismo nefasto."

O diretor de Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, informou que uma reunião ontem definiu que o decreto não será revogado, mas substituído por um plano de manejo, que será debatido e terá áreas definidas por critérios ambientais e de risco.Estadão

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Brasileiros estão entre os mais otimistas.Para 71% dos empresários, a economia está bem e ainda vai melhorar

Sete em cada dez empresários brasileiros estão otimistas em relação ao desempenho da economia do País em 2010. No ano passado, 50% estavam otimistas. Apesar do aumento do índice para 71%, o Brasil ocupa a quinta posição numa pesquisa da empresa global de auditoria e consultoria Grant Thornton, que mede o otimismo do empresariado de 36 países.

Os brasileiros estão atrás apenas de seus colegas do Chile - os campeões de otimismo, com 85% -, Índia (84%), Austrália (79%) e Vietnã (72%).

"O otimismo do Brasil não chega a surpreender", observa Mauro Terepins, presidente da Terco Grand Thornton, braço da consultoria global no Brasil. "Como o País foi um dos menos afetados pela crise, desde o segundo semestre do ano passado estamos notando uma recuperação", diz.

Para ele, a empresas têm procurado crescer por meio de fusões e aquisições, e muitos se preparam para entrar no mercado de capitais. "Além disso, as perspectivas de aumento de negócios, em especial com a Copa do Mundo, fazem com que eles estejam mais otimistas."

O estudo ouviu mais de 7,4 mil empresas privadas de capital fechado dos diversos países pesquisados. Os índices são obtidos por meio da média entre as respostas dos entrevistados que estão muito otimistas ou otimistas (positivo) e os que estão muito pessimistas ou pessimistas (negativo).

A pesquisa mostrou que a crise mundial fez a configuração da confiança no mundo corporativo virar de cabeça para baixo. Enquanto empresários de países emergentes ou fornecedores de commodities (matérias-primas), como Brasil e Índia, colecionam otimismo, nos países ricos a situação é diferente. Os japoneses, lanterninhas do ranking, estão com índice de otimismo negativo em 72%, e os franceses, em 13%. Já a China obteve um índice positivo de 60% e os Estados Unidos, de 20%.

Ainda assim, na média geral, o mundo está mais confiante. A média de otimismo hoje é de 24%, contra um índice negativo de 16% em 2009. Por região, as companhias da União Europeia são as menos confiantes na recuperação da economia: só 7% acham que os negócios vão melhorar. A mais otimista é a Ásia (exceto o Japão), com 64%, seguida da América latina (48%).

Um outro indicativo do otimismo no Brasil é a alta porcentagem de empresas que pretendem contratar mais trabalhadores este ano : 59%, contra média mundial de apenas 20%. A pesquisa também mostrou que 73% dos brasileiros têm perspectivas de aumentar suas receitas em 2010. Além disso, 61% pretendem investir em máquinas e equipamentos e 57% esperam aumento de rentabilidade.

No conjunto dos países, 40% esperam aumento das receitas, 31% vão investir em máquinas e 29% preveem aumento de rentabilidade. Para os responsáveis pela pesquisa, os resultados sugerem que, durante a recessão, as companhias se tornaram mais eficazes, o que pode permitir a redução dos custos e aumento das receitas.

Brasil fecha 2009 como terceiro mercado de IPOs


O ano de 2009 consolidou o Brasil como uma das principais economias globais no período pós-crise. Prova disso é que o País fechou o ano como terceiro maior mercado de IPOs, atrás apenas de China e Estados Unidos. No total, o Brasil captou US$ 12,7 bilhões, ou 13% do volume global, com destaques para as megaoperações do Santander Brasil e da Visanet. No entanto, com seis operações, o País foi responsável por apenas 1% dos valores de todos os IPOs realizados no período (a abertura de capital dos laboratórios Fleury, iniciada na semana passada e que já captou R$ 550 milhões, não está computada). Isto É

Mais tucano falando de Lula: O povão de Lula gosta de ordem

No 1º mandato, Lula logrou o apoio da massa popular que, desde Collor, votava no candidato de direita

NA ÚLTIMA semana, argumentei nesta coluna que o aumento da taxa média de crescimento da economia brasileira de 3% para 5% do PIB a partir do terceiro ano do governo Lula deveu-se, em um primeiro momento, ao fortalecimento da demanda externa impulsionada por uma taxa de câmbio competitiva e pelo aumento do preço das commodities e, em um segundo momento, pelo crescimento da demanda interna provocado pelo aumento do salário mínimo, pelo Bolsa Família e pelo crédito consignado. André Singer, em notável artigo de ciência política e sociologia política publicado nos Novos Estudos Cebrap de novembro de 2009 ("Raízes ideológicas e sociais do lulismo"), completa a análise.

O argumento do professor da USP é simples e esclarecedor. Da eleição de 2002 para a de 2006 -ambas vencidas por Lula-, houve mudança das suas bases de apoio. Por haver adotado uma política econômica ortodoxa e devido à crise do mensalão, perdeu parte substancial do apoio da classe média intelectualizada e de esquerda, mas, em compensação, ganhou o apoio dos setores de baixa e, principalmente, de baixíssima renda -o subproletariado que seu pai, Paul Singer, estudou nos anos 1980. Ganhou o apoio desse imenso eleitorado formado pelas famílias que recebem menos de dois salários mínimos e que constituem quase 47% da população brasileira.

Nos primeiros quatro anos de governo, Lula logrou o apoio dessa massa popular que, desde a eleição de Collor, votava sistematicamente no candidato de direita. Segundo André, por duas razões: primeiro, porque graças ao aumento do salário mínimo, ao Bolsa Família e ao crédito consignado sua renda aumentou, ascendendo uma importante parte dessa massa à condição de classe C, de "classe média" na linguagem do marketing. Mais interessante e algo surpreendente, porém, é a segunda razão. Porque essa massa é caracterizada pelo "conservadorismo popular". Para ela, como para a direita, a "ordem", no caso representada pela estabilidade de preços, é fundamental. Por isso votou em candidatos conservadores nas eleições anteriores. Quando, porém, se deu conta de que Lula era nessa matéria também "conservador", era fiscalmente responsável e se mostrara capaz de manter a estabilidade de preços, mudou o seu apoio para ele.

Como Getúlio Vargas, Lula foi capaz de falar diretamente ao povo, e ganhar a sua confiança, não apenas porque o favoreceu em termos concretos, mas também porque o fez com responsabilidade fiscal e não deixou que a hidra da inflação retornasse. Joãozinho Trinta assinalou há muitos anos que pobre gosta de luxo; gosta também de segurança ou de ordem, nos lembra André. Lula rompeu com o populismo fiscal irresponsável que caracterizara seu discurso e o do PT até a véspera da eleição de 2002. Foi um ato de coragem que o levou a perder votos dos amigos, mas a ganhar os dos pobres.

Para isso, sentiu-se obrigado a se subordinar à ortodoxia convencional, não percebendo que esta, apesar de seu discurso ortodoxo, promove o populismo cambial e a desregulação financeira e, por isso, também não assegura a estabilidade. O que assegura estabilidade e crescimento é o novo desenvolvimentismo praticado pelos países asiáticos dinâmicos, que rejeita tanto o deficit público quanto o deficit em conta corrente. Mas essa é outra história. A deste artigo é a análise de André Singer. Há muito tempo eu não via um artigo tão claro, tão objetivo e tão esclarecedor da política brasileira. Um artigo que nos obriga a pensar.

* LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

A tucanada estão se descabelando: "PSDB teria de retomar o discurso de Lula"

Não há como escapar: o Brasil vai atravessar 2010 mergulhado na disputa eleitoral. O governo vai ligar as trombetas e dizer que nunca o povo esteve tão bem e que a melhor saída é o continuísmo. E a oposição terá de se virar à procura de um discurso - porque perdeu o dela para Lula, e não soube retomá-lo.

É assim que o cientista político Murilo Aragão, presidente da ArkoAdvice, vê o cenário nacional - e tudo temperado por uma forte retomada da economia. "Vemos hoje o oposto do que ocorreu em 1994", diz ele. "Naquela época, o PT tentou desqualificar o Plano Real, mas ele deu certo." Na prática, alerta Aragão, PT e PSDB têm visões semelhantes do País e a decantada falta de discurso dos tucanos existe porque o partido não soube "desenvolver um discurso para se apropriar do discurso de Lula". A seguir, trechos da entrevista.

Qual a paisagem à vista, para 2010?

Um mundo político totalmente focado nas eleições e, fora delas, a retomada da economia.

O que o sr. chama de "retomada"?

Os indicadores são muito positivos. Deveremos ter crescimento acima dos 5%. No transporte aéreo, por exemplo, já tivemos um aumento expressivo em 2009 e tudo indica que esse ritmo continua em 2010.

Há economistas alertando para o problema de investimentos. Eles virão na medida necessária?

O Brasil é, hoje, um destino atraente para o investidor estrangeiro. Já é o quarto maior destino - só perde para China, EUA e Índia. Mas vamos viver um período com um vetor de expansão econômica e outro de pressão sobre a política cambial.

Teremos um ano com debate mais forte sobre câmbio?

Essa é uma agenda importante: como administrar o sucesso pelo lado do câmbio. Mas cresce o interesse do Brasil para investimento direto. ele reúne um mix interessante. Mercado interno forte, eventos específicos - Copa do Mundo, Olimpíada, pré-sal -, necessidade de investimentos na infra-estrutura...

Na corrida eleitoral, que caminhos o sr. imagina?

Candidatos ou pesquisas à parte, é bom lembrar que a disputa se desenvolve em três dimensões diferentes, nem sempre coincidentes, no Congresso, no Planalto e nos Estados. Um conflito típico: o PMDB quer emplacar um vice na chapa governista e a prioridade do PT é vencer a eleição. Ocorre que os petistas têm um projeto de longo prazo, não compatível com a coalizão - que é um acerto de curto prazo, para durar quatro anos.

A oposição parece ainda sem discurso. Por que isso acontece?

Porque ela tem uma identificação muito grande com a política que vem sendo feita por quem já está no poder. O miolo da política brasileira é social-democrata. Com um modelo de Estado forte, alta arrecadação tributária e um papel proeminente das estatais na economia. Todo o meio político gosta disso, no PT, PSDB, PMDB.

Ou seja, o cenário permite ao governo defender o continuísmo?

Pois é, a situação que se coloca é de um ambiente psicossocial muito favorável ao governo, o que se percebe nas altas taxas de aprovação que ele tem obtido. O País está satisfeito com o modelo que vive. E a oposição está marcada pelos episódios das privatizações. Mas o "episódio neoliberal do PSDB" foi pontual e circunscrito a alguns setores. Não foi por adesão ideológica. No segundo governo FHC, a privatização "micou". Então, haverá grande dificuldade para a oposição fazer disso um discurso eleitoral. Ela é parecida ao governo, em termos de política econômica, social e industrial, e carece de um modelo alternativo.

Como explicar que FHC, tão bem avaliado no passado e tendo feito uma política tão parecida, não tenha hoje o mesmo impacto? O PSDB não conseguiu desenvolver um discurso para se apropriar do discurso de Lula. Ao contrário, ficaram tentando desqualificar o seu governo - mas ele acabou dando certo. É uma repetição do que vimos em 1994: o PT tentou desqualificar o Plano Real, mas este deu certo e quem acusava ficou queimado.

De que modo os tucanos se apropriariam do sucesso de Lula? Poderiam usar o governo de São Paulo como um "show case". Se todos os tucanos se tivessem concentrado em fazer de São Paulo essa grande vitrine, poderiam conseguir uma força para ser usada nacionalmente. Mas isso não acontece. Serra é bem avaliado, mas a percepção de sucesso dele, hoje, não é páreo para a percepção geral de sucesso de Lula.

Qual será o tamanho da candidatura de Marina Silva?

Ela é um ícone da questão ambiental, mas não sei se isso é suficiente. A mensagem ambiental no Brasil ainda é fraca, não se articula para ser eleitoralmente competitiva.

Depois do PSDB, agora é o PT que tem um projeto de 20 anos no poder. O que isso significa para o País?

Não acho que seja ruim. O que é ruim é o eleitor não ter a possibilidade de troca, ou se o continuísmo decorrer de fraude ou ausência de concorrentes. Se ganham limpo, OK.

Mas isso não enfraquece a renovação?

Vejo isso de forma diferente. O que há no Brasil é uma forma patológica de voluntarismo, uma burocracia lenta e indomável, enquanto os problemas demandam decisões rápidas. Veja por exemplo o apagão aéreo: desde aquela época nada foi feito. Cumbica continua um lixo, lotado, com problemas no TCU, na Infraero, problemas ambientais. O País precisa crescer e o processo está encalacrado.Sônia Racy - Estadão

domingo, 3 de janeiro de 2010

Não deu outra, a banca tentou de novo

O Judiciário entrou em recesso, o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, assumiu o expediente do tribunal e renasceu a fúria litigante da banca.

No segunda-feira, dia 28, o Banco Central entrou com um pedido de juntada de documentos ao processo em que se busca o congelamento das demandas da patuleia tungada no século passado pelos planos Bresser e Verão. Esse litígio tem 22 anos e a banca pode ter toda a razão do mundo, mas sua persistente preferência pelo escurinho das férias do Supremo deslustra sua argumentação.

Em dezembro do ano passado (durante as férias), os banqueiros entraram com um pedido de liminar para se livrar das queixas dos depositantes, que teriam perdido pelo menos R$ 29 bilhões com a tungas federais.

(Quem tinha mil cruzados novos na poupança em 1989, poderá receber, na média, R$ 610.) Gilmar Mendes não viu urgência no pleito e deixou o caso para o tribunal pleno. Em março, o ministro Ricardo Lewandowski negou a liminar.

Vieram as férias de julho e, num novo surto de pressa, a banca pediu a Gilmar Mendes o reexame da decisão de Lewandowski. O ministro indeferiu o pleito.

Novas férias, novo lance. O Banco Central encaminhou uma petição, juntando novos documentos ao processo.

Isso era tudo o que informava, no último dia do ano, o portal do STF. As novidades encaminhadas pelo BC podem (ou não) tentar convencer o ministro Gilmar Mendes de que o caso requer um cuidado urgente. Ele já disse duas vezes que os banqueiros podem aguardar o fim das férias.

Demissão e picolé

Os doutores Nelson Jobim, o general Enzo Peri, o almirante Moura Neto e o brigadeiro Juniti Saito esqueceram-se de duas coisas: 1) Seus cargos sempre estão à disposição do presidente da República.

2) Demissão não se pede, se dá. O que se pede é picolé.

Os comandantes militares aborrecemse sempre que se ilumina o porão das torturas e assassinatos mantido por seus antecessores nos anos 60 e 70. Pena, porque esse risco era inerente aos crimes que se praticavam. A pergunta estava no ar no próprio porão: "Avançando a 'abertura' poderá alguém deter a marcha da Justiça reclamada? (.) "Não viria a provar ao menos o patrocínio efetivo das Forças Armadas à (sic) ações que qualquer justiça do mundo qualificaria de crime?" Esse texto é de um escriba do Centro de Informações do Exército, num documento intitulado "Estudo e Apreciação sobre a Revolução de 64", de 16 de junho de 1975, Informe nº 209/S-102-A3-CIE.

Se o general Enzo Peri não puder achar o cartapácio no arquivo do seu comando, talvez consiga na Abin a cópia guardada pelo falecido SNI.Elio Gspari

Mãe Dinada faz previsões

A PREVISIBILIDADE em fenômenos aparentemente aleatórios, para adivinhar o futuro, é um dos sonhos dos cientistas políticos. Descobrir fortes correlações, fazer regressões múltiplas, obter significância estatística etc. Nem sempre, porém, isso é possível. O mundo da política tem uma boa dose de surpresa. E ao mesmo tempo de simplicidade. Uma das principais leis elaboradas pela sociologia política foi estabelecida pela observação sagaz da vida como ela é, sem a sofisticação metodológica e a matematização dos dias de hoje. Robert Michels (1876-1936), criador da chamada lei de ferro da oligarquia, afirmou que toda organização tende sempre à concentração do poder nas mãos de uma minoria. Nem o comunismo fugiu à regra da oligarquização. A privilegiada classe dirigente dos burocratas soviéticos, aliás, é um dos exemplos mais bem acabados de que o alemão tinha razão.

Todo esse preâmbulo é apenas para dizer que estabelecer leis e fazer previsões é prerrogativa da ciência. Coisa bem diferente são as apostas.

Estas não têm o rigor teórico, a preocupação com a precisão. Mas partem de um mesmo princípio básico: observam a regularidade. Em alguns casos, adivinhar como será o próximo ano pode não ser tão difícil quanto parece. Em outros, a margem de erro é tão alta que desaconselharia a afirmação. A primeira coluna de 2010, contudo, não fugirá ao desafio.

E arrisca 25 apostas para o ano que começa:

1) O Senado será o epicentro de uma grave crise envolvendo um de seus membros mais proeminentes.

2) Pelo menos um político do PT voltará atrás em decisão que considerava irrevogável.

3) Os presidenciáveis José Serra e Dilma Rousseff comerão algum prato de gosto duvidoso em corpo a corpo pelo Nordeste.

4) Lula, o filho do Brasil levará mais de 5 milhões de espectadores às salas de cinema.

5) A oposição acusará o governo de campanha eleitoral antecipada e irá à Justiça.

6) O presidente Lula falará algum palavrão em discurso para populares.

7) Marina Silva atrairá artistas e intelectuais e será a preferida dos eleitores desencantados da esquerda.Mas amealhará cerca de 15% dos votos.

8) Ciro Gomes fará exatamente o que Lula pedir: para desistir (ou não) de sua candidatura a presidente, dependendo do desempenho de Dilma nas pesquisas.

9) O DEM não fornecerá o candidato a vice-presidente na chapa dos tucanos.

10) Lindberg Farias (PT) tentará o Senado e não o governo do Rio.

11) O PSDB vencerá a eleição ao governo de São Paulo.

12) Aécio Neves será o senador eleito mais votado do país.

13) O PMDB fará o maior número de governadores e senadores.

14) O DEM elegerá menos de 60 deputados federais.

15) O PSB encostará no PP como a quinta maior bancada da Câmara dos Deputados.

16) Dilma destratará algum jornalista durante a campanha.

17) A imprensa dirá que as obras do PAC estão muito atrasadas, e o governo afirmará que o ritmo é normal.

18) O governador José Roberto Arruda (DF) continuará no cargo até o fim do mandato.

19) O TSE cassará o mandato de algum governador.

20) Lula terá de intervir na briga entre estados produtores e não produtores na disputa pelos royalties do pré-sal.

21) O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, será eleito senador por Goiás.

22) O Orçamento da União de 2011 será votado às pressas, às vésperas do recesso parlamentar.

23) O valor das emendas parlamentares individuais subirá.

24) Deputados e senadores serão denunciados pelo uso indevido de verba indenizatória, mas nada lhes acontecerá.

25) Numa confraternização às vésperas do Natal, Lula se encontrará com catadores de papel e moradores de rua.JB

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Serra e Dilma comerão algum prato de gosto duvidoso

sábado, 2 de janeiro de 2010

Familiares de Arruda compram R$ 1,3 milhão em imóveis

A recente expansão do patrimônio imobiliário do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), se estende a agregados da família. São imóveis comprados – com valores declarados bem abaixo dos preços de mercado – desde a vitória de Arruda nas eleições de 2006. Só em 2009, a atual sogra do governador, a professora aposentada Wilma Vitoriana de Mello Peres, comprou dois apartamentos em Águas Claras, o mais novo paraíso dos investimentos no mercado imobiliário de Brasília.

Dois filhos do governador – um deles estudante – compraram outros dois apartamentos na região recentemente. E a primeira-dama, Flávia Arruda, registrou em março a propriedade de um imóvel no mesmo prédio em que a mãe fez negócio. Juntos, esses cinco imóveis valem, pelo menos, R$ 1,3 milhão.

Esses apartamentos se juntam ao levantamento publicado pelo Estado no dia 6 de dezembro e que revelou um crescimento de mais de 1.000% no patrimônio de Arruda em relação aos valores informados por ele nas declarações de renda entregues à Justiça Eleitoral nas duas últimas eleições. A reportagem revelou ainda o hábito de o governador registrar bens em nome dos filhos. Agora, descobre-se que, desde a vitória nas eleições de 2006, mais imóveis foram comprados em nome dos filhos, além dos bens adquiridos pela sogra e a atual mulher.

Arruda á apontado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, como o líder do suposto esquema de propinas que ficou conhecido como mensalão do DEM. O ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, seria o responsável pela arrecadação de dinheiro entre empresas que mantinham contratos com o governo e pela distribuição dos pagamentos a integrantes do esquema.Leia mais aqui

No PAC 2

O presidente Lula tem pressa em desenhar os planos do Brasil para depois de seu governo. “Em 31 de dezembro de 2010, o governo Lula acaba, mas o Brasil não acaba”, lembra o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que retorna de férias no dia 12 de janeiro direto para uma reunião com o presidente sobre o que o governo já chama de PAC 2.

Lula quer definir ainda este mês a nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento. Serão projetos complementares ao PAC atual, que terminou 2009 com um nível de execução orçamentária - isto é, de pagamento – 40% superior ao do ano passado, segundo o ministro.

“Existem demandas que são complementares ao PAC, algumas coisas que podem melhorar, principalmente nas grandes obras que estão sendo tocadas, vamos fazer investimentos complementares e incluir também algumas outras áreas”, afirma Bernardo.

“Prateleira de projetos” - Questionado se este tipo de atividade não significaria uma interferência no próximo governo, o ministro declara: “nós vamos apenas iniciar o processo de planejamento, projetos de engenharia, processos licitatórios quando for o caso, de maneira que o novo governo tenha uma prateleira de projetos que possam ser executados.”

O governo Lula levou mais de um ano e meio no processo de elaboração do PAC e a idéia agora é adiantar esta etapa, deixando a execução para a próxima administração. Esses planos vão determinar as contas do orçamento de 2011, que vai estabelecer quanto e onde o novo presidente vai gastar.

O ministro Bernardo disse“vamos ter de entregar um orçamento de 2011 para ser executado pelo próximo governo, incluindo os projetos que nós achamos que têm de ser executados. Pode, eventualmente, o novo governo fazer uma revisão: ‘não gostei deste, vou priorizar aquele’. Mas, pode apostar que 95% dos casos estarão resolvidos, porque são investimentos que todos acham que devem ser feitos”, calcula.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

PT e PSDB iniciam 2010 tentando sanar impasses regionais para garantir apoio a presidenciáveis

Os shows pirotécnicos que saudaram a entrada do novo ano decretaram também o início da batalha entre PT e PSDB para aumentar o poder de fogo de seus candidatos à presidência nos principais colégios eleitorais do país. O objetivo é fortalecer a artilharia em Estados estratégicos e fechar acordo com aliados até março.

Os tucanos miram Rio de Janeiro, além do Ceará e do Amazonas, onde há indefinição na corrida ao governo do Estado. Entre os petistas, o foco é centrado em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do País.

Na segunda quinzena do mês, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o secretário-geral do partido, Rodrigo de Castro (MG), começam a viajar pelo País. O medo é repetir 2006, quando o então candidato a presidente, Geraldo Alckmin, ficou quase sem palanque nos Estados por causa do medo dos candidatos a governador em perder votos caso fizessem oposição à reeleição de Lula. “É melhor um palanque menor, mas que seja fiel. Antes havia palanque demais e campanha de menos”, disse Rodrigo de Castro.

O Rio é o principal motivo da dor de cabeça no PSDB. Há dois anos que se apostava no palanque com Fernando Gabeira (PV), mas o deputado prefere o Senado. A sigla agora se divide entre fabricar a candidatura de um parlamentar - Marcelo Itagiba, Otávio Leite ou Índio da Costa, do DEM - ou convencer o ex-prefeito César Maia (DEM), que também mira o Senado e resiste a “ir ao sacrifício”.

Para o PT, o problema está em São Paulo, onde os tucanos governam desde 1995. A alternativa Ciro Gomes (PSB), defendida por Lula, ainda desperta desconfiança. “O tempo da candidatura Ciro se esgota e o PT toma a frente para lançar candidatura própria”, disse o líder petista na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Entre os cotados estão o deputado Antonio Palocci, a ex-prefeita da capital, Marta Suplicy, e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Ventilou-se o nome do senador Aloizio Mercadante, que quer a reeleição.

Em Minas, o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias querem ir às urnas. No entanto, a cúpula do PT quer evitar prévia e não vê com maus olhos o apoio ao ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB). No Paraná, há indefinição para petistas e tucanos. Ambos cortejam o palanque do senador Osmar Dias (PDT) - mas o PSDB tem dois nomes, Álvaro Dias e Beto Richa. Estadão

A piada sem graça dos piscinões que viram lixões

Reportagem de Felipe Oda publicada no jornal da Tarde na segunda-feira 14 de dezembro mostra o lastimável estado de grande parte dos piscinões em céu aberto construídos para evitar pontos de alagamentos em locais em que a impermeabilização do solo e a topografia favorecem o empoçamento da água das chuvas.

Dez dos 18 reservatórios não têm condições de cumprir o objetivo para o qual foram construídos, em obras nas quais se gastaram recursos públicos retirados do bolso do contribuinte por impostos, pois o espaço a ser ocupado pelo excesso de água já não está mais disponível. Ocupam-no garrafas pets, restos de móveis, entulho e terra suja. Esses piscinões não merecem mais a denominação que lhes foi dada, pois não passam de lixões.

E o pior é que os responsáveis por esse incrível descaso não têm sequer consciência do que ocorre. Uma semana antes de o repórter do Jornal da Tarde percorrer os 18 piscinões existentes (e insuficientes para resolver em definitivo o desconforto e a tragédia das inundações), o chefe do Executivo municipal, Gilberto Kassab (DEM), garantiu que os “piscinões estavam com a limpeza realizada adequadamente” quando o toró caiu.

Felipe Oda ouviu testemunhos mais confiáveis de que o prefeito não sabe o que diz. “Faz muito tempo que a Prefeitura não limpa isso aí. Basta olhar para os muros e ver a quantidade de lodo e garrafas pets. A sujeira junta ratos, baratas e mosquitos, que acabam indo para as casas”, contou a vendedora Luzinete de Souza, de 24 anos, que mora nas proximidades do piscinão Jardim Maria Sampaio, no Campo Limpo, na zona sul. “É tanta sujeira que ninguém aguenta o cheiro. Pede para o prefeito vir aqui e ver se está limpo. Fora o matagal, que está cheio de ‘noias’ (consumidores de drogas)”, desafiou o comerciante Antonio Padilha, de 37 anos, referindo-se ao estado obviamente lastimável em que se apresenta o piscinão do Bananal, na Brasilândia, no lado oposto da cidade, a zona norte.

A exceção a essa situação de sujeira e abandono é o piscinão subterrâneo da Avenida Pacaembu, que, não por acaso, ao contrário de outras vias (como as Marginais dos Rios Tietê e Pinheiros), não se torna sob tempestades autêntico rio. O coordenador da área de drenagem da Secretaria de Subprefeituras de São Paulo, Domingos Gonçalves, reconhece que a cidade precisa de pelo menos mais 10 piscinões e a Grande São Paulo, segundo ele, que tem 40, demandaria pelo menos uma centena, e comemora a sujeira dos piscinões, que não evitam as inundações, mas impedem que o lixo neles depositado chegue aos leitos dos rios, assoreando-os. Aparentemente produto do humor peculiar do gestor, sua afirmação é um achincalhe aos moradores das ruas próximas aos piscinões com a falta de higiene. Além de não desempenhar sua tarefa comezinha, o burocrata ainda faz blague com a desgraça do cidadão de quem são cobrados os impostos que garantem seu salário.

Para 2010

Na Câmara, devem ser analisados projeto que propõe subsidio nas contas de luz de até 22 milhões de famílias, proíbe uso de celular ao volante, sugere indenização em casos de overbooking e amplia o prazo de licença-paternidade. O Senado pode votar a exigência de diploma para jornalistas, a oficialização em todo o território nacional do "Hino à Negritude", a PEC dos Precatórios, proposta que prevê punição aos pais que falarem mal do ex-companheiro ao filho, a criação de um fundo para combater mudanças climáticas, o reajuste para servidores do Judiciário, o fim de exigência de prazo para divórcio e a punição para violência nos estádios

Lula é o brasileiro mais confiável, aponta Datafolha



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a pessoa mais confiável para os brasileiros, segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha. Lula está à frente de apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque.
Os 11.258 entrevistados, de 14 a 18 de dezembro, deram nota de 0 (menos confiável) a 10 (mais confiável) às personalidades apresentadas. Lula lidera a lista, com nota média de 7,9.

Além disso, 39% dos brasileiros deram nota 10 ao presidente, contra 4% que lhe deram 0.

Lula é mais admirado no Nordeste, com nota média de 8,74, contra 7,14 no Sul e 7,57 no Sudeste. O petista recebeu nota 10 de 62% dos pernambucanos, 53% dos cearenses e 48% dos baianos. Em São Paulo, recebeu 10 em 31% dos casos. No Rio Grande do Sul, onde teve pior desempenho, obteve 15% das notas máximas.

O petista é mais bem avaliado pelos mais velhos -recebeu 47% de notas 10 entre os que têm 60 anos ou mais. Entre os que têm nível fundamental e recebem até dois salários mínimos, teve 52% de notas 10.

Entre os mais escolarizados e mais ricos, o presidente fica em quinto. Nesse recorte, Chico Buarque lidera, seguido por William Bonner, Caetano Veloso e Roberto Carlos.

De todas as personalidades, apenas duas -Lula e Silvio Santos- são conhecidas por todos os entrevistados.

Maria Celina D'Araújo, professora de ciência política da PUC-RJ, diz que os primeiros lugares são ocupados por "homens de mídia". "Lula é um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula sabe", diz.

Para Maria Celina, especialista nos governos Getúlio Vargas, nenhum presidente explorou tanto a comunicação de massa, principalmente via programas de rádio e TV e colunas em jornais.

Ex-presidentes

Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, este o menos confiável de todos.

Entre os pré-candidatos de 2010, José Serra (PSDB) aparece mais bem colocado. Com nota média de 6,23, ele fica em 14º lugar no ranking geral.
O também tucano Aécio Neves, governador de Minas, fica na 19ª posição, com nota média de 5,45. Em 20º, está o deputado federal Ciro Gomes (PSB), com média de 5,41, seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 5,40, e pela senadora Marina Silva (PV), com nota média de 5,15.

Serra tem suas melhores notas em Santa Catarina (6,67) e São Paulo (6,47) e as piores no Distrito Federal (5,3), no Rio (5,61) e na Bahia (5,72).
Dilma tem as melhores notas no Ceará (6,18) e em Pernambuco (6,14) e as piores, no DF (4,65), em São Paulo (4,76) e em Minas Gerais (4,92).

O cientista político Luciano Dias diz que "a imagem positiva ou negativa é resultado do fluxo de notícias sobre essa pessoa". Segundo Dias, artistas como Chico Buarque ou o padre Marcelo Rossi raramente são expostos a um noticiário negativo, o que explica o bom desempenho deles na consulta.

Para o cientista político, o raciocínio também pode ser aplicado ao presidente Lula, que hoje sofre ataques menos contundentes da oposição. "Na medida em que ele foi ampliando sua popularidade e não é candidato, o interesse em atacá-lo é muito baixo."Folha

A Folha alerta o PSDB...e o que você acha desse discurso?

Menos de oito anos depois de ser vítima do discurso do "risco PT", em que a oposição tentava associar uma vitória de Lula à volta da inflação e à instabilidade econômica, o governo pôs em marcha uma estratégia semelhante para 2010.

Ministros, autoridades do governo e o próprio Lula passaram a embutir em suas falas pelo país alertas para a possibilidade de ruptura nas políticas econômicas e sociais caso a candidata do Planalto, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), não vença as eleições.

Em 2002, quando tucanos e aliados adotaram o discurso do "risco PT", a atriz Regina Duarte foi à TV declarar o voto a Serra, que concorria à Presidência, afirmando ter "medo" de Lula.

Hoje, a estratégia é vincular Dilma à continuidade das políticas do governo Lula, e colar, na possibilidade de vitória da oposição, o risco de retrocesso.
Em entrevista, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou ter convicção de que Dilma manteria a atual política econômica -mas sobre o principal nome da oposição para enfrentá-la, o governador José Serra (PSDB), disse não ter a mesma certeza.

Diante dos bons resultados da Petrobras, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, atribuiu o sucesso ao governo Lula e afirmou, também em entrevista, que se tivesse vencido em 2002 e 2006, "o PSDB já teria vendido parte" da empresa.
Ainda mais enfático foi o presidente Lula que, ao encontrar catadores e moradores de rua, alertou para o perigo da não continuidade de seu governo: "Não sabemos o que pode acontecer no país".

Aprovação

O expediente de associar Dilma ao sucesso do governo Lula é uma das principais estratégias de campanha. Sem nunca ter enfrentado as urnas, Dilma tem apenas o trabalho como ministra para mostrar.

O comando do PT e ministros próximos ao presidente rechaçam as expressões "terrorismo" ou "medo". Avisam, entretanto, que intensificarão a estratégia de associar Serra à administração Fernando Henrique Cardoso.

O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) afirma que é "inevitável" a comparação de projetos. "É uma linha de defesa do governo. E não é apenas continuidade, o projeto é continuar avançando", diz.

Segundo o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), o partido quer promover um debate sobre "os destinos do Brasil" -em que sobram ataques para o governo tucano. "[Vamos discutir se o Brasil] vai ser potência mundial ou não", diz ele. "O PT defende o Estado forte, um Estado que enfrenta a crise como nós enfrentamos. Eles acham que isso é gastança", afirmou o deputado.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, diz que a estratégia de comparação entre os governos terá o seu ápice durante o horário eleitoral. "Não queremos que o eleitor tenha medo. Mas que possa optar entre dois projetos antagônicos."
Berzoini afirma que o tucanato praticou terrorismo também em 1998 ao dizer que a eleição de Lula ameaçaria a estabilidade econômica.

Enquanto o PT investe na comparação dos governos Lula e FHC, o PSDB vai insistir no confronto dos currículos de Dilma Rousseff e José Serra. Os tucanos realçarão as realizações do tucano no governo de São Paulo e no Ministério da Saúde. Lembrarão, por exemplo, a criação dos medicamentos genéricos:

"A história de Serra é anteparo para esse debate medíocre. A estratégia [do medo] não cola em quem fez o genérico e quebrou patente", disse o deputado federal Jutahy Magalhães (PSDB-BA).
 

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