segunda-feira, 20 de julho de 2009

Reforço de caixa

Como seguro extra para o próximo ano de eleições, o Banco Central (BC) resolveu reforçar ainda mais as reservas internacionais brasileiras, informou uma fonte do governo. As compras se darão dentro das condições de mercado e não há "meta ou teto" a serem perseguidos.

Mesmo em patamar já elevado - as reservas bateram na semana passada o recorde histórico de US$ 209,57 bilhões - a decisão é uma medida preventiva para ampliar o colchão de segurança para o próximo ano. Em 2002, durante disputa eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, economia brasileira viveu uma crise de confiança que levou o dólar a bater R$ 4,00 e o risco Brasil subir acima de 2 mil pontos. Naquele momento, o saldo das reservas girava em torno de US$ 37 bilhões e o BC não tinha bala na agulha para enfrentar a excessiva volatilidade da taxa de câmbio e o movimento especulativo do mercado.

"É um seguro", admitiu a fonte da equipe econômica. Para a fonte, as incertezas em torno do primeiro ano do próximo presidente já contaminam o mercado e exigem essa cautela adicional, mesmo as reservas estando em volumes já confortáveis. A avaliação é de que o chamado "risco eleitoral", que incluiria o temor de uma deterioração da sustentabilidade da política fiscal, é o que explica o prêmio de risco elevado que está embutindo no mercado futuro de juros, apesar de as projeções tanto do mercado como do BC apontarem a inflação em 2009 e 2010 bem abaixo do centro da meta de 4,5%.

Na dúvida e diante do histórico brasileiro, o mercado, segundo essa avaliação, já estaria cobrando um preço mais alto por essa incerteza.

Na semana passada, o próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, alertou o mercado para o descompasso entre os juros de mercado e as projeções de inflação.

Desde janeiro de 2004 o BC iniciou o programa de recomposição das reservas. O programa é baseado em três premissas: não adicionar volatilidade, não pressionar a taxa de câmbio e ser feita com condições favoráveis do mercado.

Entre meados de 2006 e meados de 2007, o volume de reservas internacionais do Brasil cresceu a um ritmo acelerado. Essa acumulação de reservas foi considerada decisiva para o Brasil resistir ao impacto mais forte da crise financeira internacional, no final do ano passado, e ao movimento de fuga de capital estrangeiro e aversão ao risco que se espalhou por todo o mundo.

No período mais agudo da crise, o BC irrigou dólares para o mercado.

Desde maio, no entanto, o BC começou a comprar dólares e reforçar novamente as reservas. Já foram comprados US$ 6,2 bilhões de lá para cá.

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