segunda-feira, 20 de abril de 2009

Protógenes é aposta eleitoral do PSOL


Para muitos, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, ex-comandante da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, está usando o PSOL para se salvar das acusações de ter bisbilhotado ilegalmente jornalistas, ministros e autoridades dos três Poderes. Mas o partido, que ganhou fôlego com o ingresso de dissidentes do PT e enxerga no delegado a sua tábua de salvação. Em conversas com amigos, o próprio delegado tem superestimado seu potencial eleitoral.

Protógenes diz que foi convencido pelos líderes do PSOL de que, embalado na bandeira do combate à corrupção, alcançará a marca de 1,5 milhão de votos em uma eventual disputa por uma vaga deputado federal por São Paulo no ano que vem. O PSOL, por sua vez, aposta que o ex-chefe da Satiagraha, com a sua fama de "justiceiro", alcance um desempenho duas vezes superior ao conquistado pelo ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) na urnas em 2006. Na época, o ex-prefeito paulistano foi o deputado mais votado, em números absolutos, atingindo a marca de 739 mil votos.

Os problemas crescem em torno de Protógenes - ontem o jornal Estado revelou que ele viajou com passagens aéreas do gabinete da deputada Luciana Genro (PSOL-RS), pagas pela Câmara. Outros parlamentares da legenda podem ter feito o mesmo, mas só Luciana admitiu, ressaltando não ver nenhuma irregularidade. Protógenes não atende à imprensa para explicar por que usou os bilhetes da parlamentar, justamente em meio ao escândalo da "farra das passagens" no Congresso.


Com dificuldades de seguir a sua carreira de delegado - na semana passada, foi afastado por tempo indeterminado de suas funções pela cúpula da PF -, Protógenes tem sido aconselhado a enveredar pelo caminho da política. A quem lhe aborde sobre suas pretensões, o delegado se apressa em negá-las. Apesar disso, sempre ressalva que não se pode desconhecer um desejo popular tão forte.

Seu comportamento também o desmente. Ele tem aparecido tanto no Congresso que até os seguranças do Senado e da Câmara já discutem como protegê-lo, caso ele venha a ser eleito. Além disso, o delegado prepara um livro biográfico - que, na verdade, vem sendo escrito por um jornalista amigo - como peça de campanha eleitoral.

"A sociedade se move muito por símbolos e o sistema eleitoral é marcado por personalidades. Se ele, a partir da operação que lhe deu notoriedade, souber trabalhar, tem chances", avalia o vice-líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ). "Uma coisa é certa. No PSOL tem espaço para ele."

Protógenes já angariou outras amizades no meio político. Entre elas, a do deputado Paulo Lima (PMDB-SP) e dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Pedro Simon (PMDB-RS) e Wellington Salgado (PMDB-MG). É com o discurso contra Dantas, controlador do Grupo Opportunity, que o delegado tem edificado sua oportunidade.

"Querem transformar o banqueiro bandido em vítima e o investigador em investigado. Mas o povo não é bobo", tem repetido Protógenes, como mantra, em suas andanças pelo Congresso.

Até mesmo o PDT tenta conquistar o delegado, de olho em seu potencial eleitoral. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), vem manifestando irrestrita solidariedade a Protógenes. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) já enviou, segundo amigos, recados de que poderia defender o delegado na condição de advogado.

1 Comentários:

  • terça-feira, 21 abril, 2009
    ZEPOVO Disse:

    Não sei se Protógenes é um injustiçado ou um justiçeiro. Não sei se é movido pelo profissionalismo ou pelos holofotes. Não sei se é vitima ou culpado. Não sei se ele sabe o que pretende ou é maluco mesmo, acreditou ter uma força que não tinha ou pensou que podia enfrentar quem pode destruí-lo.
    Não sei se sabia como "as coisas" funcionam, ou entrou de gaiato num caminho sem volta.
    Só sei que uma das maneiras de se proteger de agora em diante é ser eleito deputado ou coisa que valha. Só a imunidade parlamentar pode garantir sua existência. Talvez agora Protógenes saiba o que está fazendo, e o quanto vai ter que ceder em seus princípios para tingir o novo objetivo.

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