segunda-feira, 24 de março de 2008

Prefeito virtual, problemas reais


A apatia do Poder Executivo Municipal diante da desordem urbana que impera no Rio de Janeiro entristece (e até envergonha) a todos que moram, visitam ou simplesmente amam a Cidade Maravilhosa. A impressão que se tem é a de que o prefeito Cesar Maia deixou de existir fisicamente. Cedeu lugar a um endereço eletrônico que rebate com relativa celeridade as perguntas da imprensa e as provocações de adversários políticos, mas é incapaz de responder às angústias do cidadão comum que vê seu bairro (qualquer um dos 160 oficialmente listados, do Centro à Barra da Tijuca, de Santa Cruz à Ilha do Governador) degenerar-se a cada dia.

Na comodidade do mundo virtual, o governante livrou-se de vez da interação real com outros seres humanos. Quem perde com isso não são apenas os quase 2 milhões de eleitores que lhe confiaram o comando da prefeitura em 2004, mas toda a comunidade carioca de 6 milhões de habitantes. Não há mais tempo para as conversas olho-no-olho ou para o contato corpo-a-corpo tão comum em período pré-eleitoral, de caça aos votos. Ligado ao mundo por um computador, o prefeito sequer escuta os gritos de socorro de quem não suporta mais tanta degradação.

Em recente reportagem, o Jornal do Brasil trouxe à tona a questão da "privatização" das calçadas: prédios, bares e camelôs que se aproveitam da ausência da prefeitura para lotear o espaço público, transformando a passagem de pedestres em garagens a céu aberto. Recebeu da maior autoridade municipal um lacônico e-mail, informando que a Guarda Municipal aplica multas de trânsito para conter a infração. Tanto a resposta oficial quanto a ação repressiva parecem por demais fracas para solucionar o problema - que persiste com a mesma intensidade.

O fato é que o calvário diário do carioca (ruas loteadas, esburacadas e mal iluminadas, proliferação de camelôs e flanelinhas, praças abandonadas e entregues à população de rua, transporte ilegal em franca expansão, favelização crescente, entre outras pragas) só tende a amenizar-se a partir de 1º de janeiro de 2009 - quando toma posse um novo prefeito. Para encarar a realidade e desligar de vez o mundo virtual.

Militares contra a dengue

A guerra contra a dengue no Rio ganhará, esta semana, o apoio das Forças Armadas, conforme anunciou, em Washington, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. A notícia chega já com certo atraso, visto que mais de 32 mil cidadãos fluminenses tombaram doentes este ano, com cinco dezenas de óbitos. Se não pode ser revertido, o quadro grave tende a ser minimizado com o reforço de soldados das três armas.

A estratégia de combate deve ser discutida ainda hoje, na primeira reunião do gabinete de crise criado pelo Ministério da Saúde para que as autoridades federais, estaduais e municipais possam trabalhar juntas na guerra ao mosquito. A idéia é que os militares montem hospitais de campanha em locais de grande circulação - como fizeram na fugaz intervenção federal decretada no sistema de saúde do Rio, há três anos.

A ajuda é mais que bem-vinda, num momento em que a situação nos postos de saúde da rede pública é desesperadora: pacientes com sintomas da doença aguardam horas na fila de atendimento e muitas vezes são instruídos a voltar outro dia. A rede privada também está sobrecarregada, segundo dados da Federação de Hospitais Particulares do Estado. Só com o esforço conjunto e bem articulado das três esferas de governo, e com o apoio da sociedade, o Rio começará a vencer a batalha.

1 Comentários:

  • quarta-feira, 26 março, 2008
    Medeiros Disse:

    Olá, André.
    Muito prazer, meu nome é Carlinhos da bodega e venho ao seu "Consciência Política" através do Technorati. Sobre o blog e sua apresentação, dispensam comentários, mas eu os classificos muito acima da média.

    Perfeitos, para ser mais exato!

    Sobre o teimoso César Maia, a estratégia é o "quanto pior melhor" para tentar imputar a culpa ao presidente Lula.
    Parabéns! O Brasil precisa de jovens cidadãos, com uma nova consciência cidadã e uma visão além da que oferece nossa podre mídia.

    Abs

    delete

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