terça-feira, 3 de abril de 2007

Ataques a Lula e à Aeronáutica

Depois de parar a aviação brasileira, a partir de sexta-feira, os controladores de vôo se insurgiram ontem contra o presidente da República e o comando da Aeronáutica. Ontem, no Rio de Janeiro, a categoria declarou-se em estado de greve, ou seja, continua mobilizada e, caso perceba que o acordado com o governo não está sendo cumprido, cruzará os braços de novo.

De acordo com o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, a decisão de manter estado de greve vale para controladores do Brasil inteiro. A categoria marcou nova assembléia para daqui a 15 dias.

- Estamos dando um voto de confiança ao governo mas, se percebermos que as promessas não estão sendo cumpridas, convocamos nova assembléia imediatamente - disse Botelho.

Os ataques da categoria às autoridades começaram no fim da manhã de ontem. Em nota publicada no seu site, o sindicato, que representa os controladores civis, classificou como "infeliz" a declaração de Lula - feita no programa radiofônico "Café com o presidente" - de que os profissionais foram irresponsáveis. A categoria acusou ainda a Aeronáutica de truculência e qualificou como "improcedente a retórica largamente difundida pelo comando" da Força, de que os controladores quebraram a hierarquia na greve da semana passada e na negociação que levou o governo a ceder e anunciar a criação de um órgão civil para o controle do tráfego aéreo.

Durante o programa, Lula disse achar "muito grave o que aconteceu".

- Acho grave e acho irresponsabilidade de pessoas que têm funções que são consideradas essenciais e funções delicadas, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional - declarou Lula.

O presidente disse ainda que a categoria poderia discutir aumento de salário, mas sem prejudicar "o ser humano".

- A gente não pode ficar assistindo na televisão todo dia milhares de pessoas sofrendo, esperando cinco ou seis horas, passando privações, pessoas sofrendo, pessoas chorando porque uma categoria se dá o direito de poder fazer isso - disse.

Os controladores reagiram. Culparam o governo e a Aeronáutica por não ouvirem as reclamações da categoria sobre o setor que, segundo eles, são feitas há mais 25 anos.

- O fato é que a falta de atitude dos governos anteriores para enfrentar os desmandos praticados no comando militar da Aeronáutica foi o que gerou todo o sofrimento por que passam atualmente os usuários do transporte aéreo - acusaram.

De acordo com o sindicato, tanto o presidente Lula quanto o ministro da Defesa, Waldir Pires, estariam sendo intencionalmente mal assessorados por integrantes do alto-comando da Aeronáutica, que querem a cabeça de Waldir Pires.

O ministro é o único poupado das críticas da categoria. Pires foi também o único a dar voz aos controladores, ao negociar diretamente com eles, no início da crise, em outubro - o que estimulou a quebra de hierarquia, na avaliação dos comandantes militares.

- O próprio Comando da Aeronáutica quebra a hierarquia em relação à autoridade do ministro da Defesa, haja vista a intencional assessoria cheia de sofismas para desmoralizar o atual ministro Waldir Pires, numa tentativa clara de ridicularizá-lo perante a sociedade - afirmam os controladores na nota.

A categoria acusa ainda a Aeronáutica de articular a saída de outros ministros que ocuparam a Defesa, como José Viegas e o vice-presidente, José Alencar, cuja atuação à frente da pasta os controladores classificaram como "um livro de páginas em branco".

Os controladores disseram que o fato de a Aeronáutica se negar a ceder equipamentos para o novo órgão, que será criado para o controle da aviação, é um ato "absolutista". Eles lembram que os equipamentos e estrutura do atual Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) são da União, e não do Comando da Aeronáutica.

Também em nota, a Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo, que representa os militares, negou que os profissionais estejam preparando nova mobilização para a Semana Santa. De acordo com a nota, o acordo feito com o governo "reforçou os ânimos" da categoria que, agora, fará "o possível para voltar à normalidade".

1 Comentários:

  • sexta-feira, 06 abril, 2007

    É importante ressaltar a interferência política antes do início da crise. Em 24 de setembro de 2006 ocorreu um churrasco em Brasília organizado pelo deputado federal Alberto Fraga PFL-DF e os convidados foram os controladores de vôo. A reunião teria ocorrido com a intenção de angariar votos para a eleição do referido deputado. Foram feitas promessas de "apoio logístico para os controladores em suas reivindicações salariais". Houve a revelação de que um "grupo internacional estaria interessado na privatização do sistema de controle aéreo brasileiro. Só privatizando, explicou o deputado, seria possível aumentar os salários." (Revista Isto É, de 29 de novembro de 2006) http://www.terra.com.br/istoe/1936/1936_brasil_confidencial.htm

    Cabe também ressaltar que o acidente com o avião da GOL (vôo 1907) ocorreu em 29 de setembro de 2006, ou seja, 5 dias após essa reunião.

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